Babalaxé Victor de Ayrá

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Babalaxé Victor de Ayrá com o Ayrá de seu padrinho de santo, Pai Edmilson de Ayrá

Victor Ferreira Palhares, filho de Pai Valter de Ogun e Mãe Denise de Iemanjá. Embora sua história seja recente, desde sempre esteve envolvido com a religiosidade, com Orixás, Caboclos e Mestres.

Mesmo antes de nascer, Victor já era uma criança muito amada e desejada por seus pais que por intermédio de sua, hoje, avó de santo, Yá Quitéria de Iansã, fizeram um tratamento espiritual para que Mãe Denise engravidasse e esse filho nascesse, uma vez que por incompatibilidade sanguínea a concepção de um filho entre seus pais seria muito difícil de acontecer com a medicina do final dos anos 80.

Em 11 de maio de 1987, nasce o primogênito e filho único de Pai Valter e Mãe Denise, que desde de criança acompanhava seus pais nas umbandas e candomblés, se familiarizando com o universo mágico que é as religiões afro-brasileiras. Ainda criança aprendeu cantigas e começou uma paixão que perdura até hoje: o atabaque.

Durante a sua infância e pré-adolescência se afastou um pouco do axé, acompanhando somente as festividades da Casa de Ogun. Nesse período teve outras experiências religiosas, com a religião evangélica e a católica, onde fez a primeira comunhão e crisma. Sempre tendo o apoio de seus pais nessas descobertas.

Aos seus 13 anos, Victor retorna efetivamente para a Casa de Ogun e aos 15 é suspenso Ogan pelo Ogun de seu pai. Cheio de ímpeto e vontade, toma a decisão de se iniciar para Orixá que foi prontamente rechaçada por seus pais de sangue e seus sacerdotes, alegando que era muito novo e precisaria amadurecer e entender melhor o compromisso que é ser iniciado no Orixá, uma vez que Orixá ainda não pedia a cabeça de Pai Victor.

Sempre presente em todos os atos e rituais da Casa de Ogun, Pai Victor completa seus 18 anos de idade e impõe sua decisão de iniciar-se para Orixá, por amor, simplesmente por amor. Dessa vez seus pais aceitaram e como de costume apuraram o Orixá com 3 Babalorixás diferentes. Pai Marcelo de Logunedé, Pai Edmilson de Ayrá e Pai Ivan de Odé abriram o jogo de búzios para Pai Victor e o Orixá Ayrá se posicionou para seu filho informando o cargo que possuiria dentro de seu axé que inicialmente foi de Babá Otun Axé e herdeiro do legado de seus sacerdotes, posteriormente entendido como Babalaxé, o pai do axé, a pessoa que têm a missão de herdar e dar continuidade ao axé. Por mais clichê que seja um filho herdar tudo de seus pais carnais, Pai Victor foi apontado pelos Orixás para herdar a coisa mais importante: o Axé.

Hoje, com o seu ciclo de 6 anos completo, Pai Victor se encontra cada vez mais forte em seu propósito, estudando e se preparando, para quando necessário, estar a frente do Egbé Jurema Nagô – Casa de Ogun, ajudando os seus pais carnais e sacerdotes a conduzir o axé da melhor forma possível.